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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Tinha uma suástica no meio do caminho

Sábado de manhã saímos para comprar carne no supermercado. Fomos a pé. Logo na esquina de casa, em frente a um bar que frequentamos com assiduidade, de longe notei umas pedras no meio do caminho. As mesmas pedras que formam a calçada.

Ao me aproximar, consegui enxergar que as pedras formavam uma suástica. Ao passar por ali, com meu filho que não entende nada do mundo, me senti agredida e resolvi desfazer o símbolo que estava assim tão perto da nossa casa, tão próxima do nosso mundo.

É um símbolo e é evidente também que não vai dar para afastar de perto dele (e nem mesmo de mim) todas as coisas ruins para sempre. Mas - naquele momento - me senti na obrigação.

Ele, claro, ficou curioso em saber o motivo de eu chutar as pedras para desmanchar o que estava feito que ele, até então, nem tinha reparado ao certo e que forma tinha. 

Então, expliquei, de forma menos profunda e mais direta possível que ali estava formada uma suástica. E que aquele era um símbolo que representava o nazismo, onde muita gente matou muitas pessoas porque elas eram judias, porque tinham outra religião, outra forma de viver e pensar.

Ele ficou um pouco impactado em saber que pessoas tinham matado pessoas. E desatou a dizer que não podia matar as pessoas, que era triste fazer aquilo, que era errado e que as pessoas que tinham matado eram maus. E então me sugeriu como ele tem feito com frequência: tendo uma ideia.

Desta vez, sua ideia era com que nós nos transformássemos em super heróis que faziam as pessoas que foram mortas reviverem. Uma ideia linda e que eu queria muito que pudesse muito ser um super poder possível, mas entramos em outra profunda discussão de que este poder é apenas do Papai do Céu e que a gente não podia fazer aquilo, por melhor que fosse nossa intenção. Então, a conversa se estendeu e se desenrolou em o poder de Deus, dos médicos e das pessoas. Uma coisa puxando a outra conforme a curiosidade dele avançava ou recuava ou até tomava um caminho totalmente improvável.

Em um caminho de menos de 3 quadras falamos de tantas coisas naquela perspectiva infantil que me espantou. Especialmente porque ao chegar finalmente no supermercado, ele esqueceu toda a conversa e seguiu em direção aos carrinhos que tem o mesmo tamanho que ele e saiu empurrando, pronto para fazer compras e não mais discutir nada sobre mais nada.

Afinal, com 4 anos tudo parece e é tão efêmero que não merece durar mais que alguns passos.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Conversa de bêbado

Ontem, quando chegamos em casa ele logo pediu:

- Mãe, quero desenho!
- Ok. Mas primeiro eu vou assistir ao debate.
- Hmmm! Tá bom, eu também quero batman.
GARGALHADAS. Incontroláveis.
- Não, Arthur eu vou assistir ao de-ba-te.
- Ah, tá.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Dobrou e guardou a mamãe no bolso

Dias desses estavam na sala eu, marido, Arthur, madrinha e co-dindo conversando sobre os aniversários que estavam por vir (até então seriam dois em uma semana). Um deles, da menina mais bonita da sala - palavras do Arthur em outro momento despretensioso nosso.

Quis que ele contasse para a madrinha quem era a menina mais bonita da sala. Com vergonha e sem respostas, o co-dindo sugeriu que a menina mais bonita fosse a tia Bia. Ele pensou um pouco e concordou, reafirmando que a dinda era a menina mais bonita da sala.

Mas então insisti dizendo que a tia Bia não estava na sala dele. Rapidamente, ele respondeu. Ta sim, ta aqui na minha sala.

Assim, simples. Dobrou a mãe e guardou no bolso! E eu tive que dar o braço a torcer, concordar e aida assumir que ele foi muito mais esperto que eu. Aos 3 anos. Quero ver o que vai me dizer aos 13!