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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Ocupando o espaço público

Brincando no bloco de carnaval que passou perto de casa
Gostamos muito de ir à pracinha. Costumamos, com frequência, ocupar o espaço público e fazer um bom uso dele. Eu quero, assim, mostrar a ele que a rua é também a nossa casa. Que a praça, a praia e os parques são lugares que devemos frequentar, cuidar e respeitar porque é nosso, mas é também das outras pessoas.

Ele provavelmente não entende toda essa dimensão de nossa ida à praças e parques, mas certamente já entende que deve respeitar a vez do outro, que não pode jogar lixo no chão e que não se pode destruir nada que está lá, afinal ele vai usar e outras pessoas também.

Geralmente, ele já se zanga (e ainda por cima recolhe) quando encontra lixo deixado por outras pessoas. 

Com o carnaval e a proliferação dos blocos em São Paulo, resolvi levá-lo também aos blocos de carnaval que tem acontecido nas proximidades de casa. Para mim, foi mais uma maneira de mostrá-lo que podemos e devemos ocupar os espaços públicos. Que a rua é de todos e que devemos sim sair para a rua e ocupá-la. Ele tem aproveitado, curtido e vivido tudo isto.

Na semana retrasada, quando fomos ao primeiro bloco, ele adorou. Foi centro das atenções e pôde, além de ocupar o espaço, compartilhar da gentileza das pessoas e crianças que estavam brincando no mesmo bloco. Recebeu confete e serpentina por onde passou, brincou com outras crianças e muitas adultos também fizeram questão de brincar com ele, que se divertiu sendo o Homem de Ferro que derrubava todos pelo caminho. Assim, fica até fácil mostrar a ele como a vida pode ser bacana quando todos tem um mesmo propósito ao ocupar o espaço público, mas nem sempre é assim. No último final de semana, por exemplo, tivemos muitos problemas ao repetir a experiência em um bloco destinado ao público infantil (mas esse post vem amanhã porque hoje eu quero falar apenas da boa experiência), mas assim também aprendemos a conviver com quem ainda não sabe respeitar o próximo e aprendemos com todas as situações que existem nesta vida.

Educar e fazer um mundo diferente, para mim, passa por estas pequenas coisas que, invariavelmente, vão um dia refletir na vida dele. E que assim seja. Pouco a pouco. Com pequenos gestos e coisas simples para fazer do futuro um lugar melhor, mais amável, com mais respeito por si, pelo outro e pelo mundo no qual vivemos. E que assim seja.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Volta às aulas (e eu querendo a minha rotina de volta também!)

Não sei se ele estava mais ansioso do que eu para conhecer a professora nova, mas sei que saiu todo alegre e feliz para o primeiro dia de aula.

Eu, sábado, já tinha conhecido as novas professoras na reunião escolar, mas sabia quanta expectativa ele estava nutrindo por este dia. Há duas semanas, de tanto ele me pedir para ir à escola e perguntar se as férias dele e dos amigos já tinha acabado, o levei para passar um dia no curso de férias. A ideia era retornar também na semana passada, mas aí ele ficou com um mega resfriado e com febre a semana quase inteira (foi melhorar só na sexta-feira) e a volta às aulas ficaram condicionadas mesmo para hoje.

Ele, claro, deu seu piti habitual para sair da cama, me obedecer e se deixar vestir. Mas depois acabou cedendo, se levantando e até me ajudando. A alegria era tanta que ele vestiu a lancheira nas costas e queria ainda puxar a mala, mas a mãe exagerou na lancheira (sério, mandei: danone, duas bananas, duas bisnaguinhas com requeijão, cereais, gelatina e suco) e estava tão pesada que ele reclamou e pendurou na mochila para sair carregando as duas.

Eu fiquei feliz de vê-lo tão contente de ir para a escola seja para "estudar" seja para rever os amigos. Feliz e com um sentimento de que acertei a mão. Lembro que o um ano e meio que ele ficou na outra escola ele nunca teve este sentimento de pertencimento e de querer ir, de querer estar lá; coisa que acontece bastante com essa escola, que ele está desde o ano passado. Eu, na verdade, fico feliz porque sempre "namorei" aquela escola e vejo nas propostas deles coisas que me encantam muito para além da educação infantil, mas para propostas concretas de pensar e agir democrático. Eu quero sim tirá-lo de lá na época da alfabetização e passá-lo para uma escola grande de verdade para que ele aprenda a se virar, mas juro que tenho repensado cada vez mais esta intenção.

Agora, com a volta às aulas eu também espero conseguir retomar a minha rotina, que está perdida desde a separação em outubro. Primeiro foram algumas semanas fora de casa, que desajustaram tudo. Depois, foi a retomada de tudo definitivamente meu, o que me fez ficar bastante desnorteada e sem conseguir me acertar com a hora, principalmente com a rotina noturna, a hora de dormir e de dar conta de tudo. Mas, afinal, era novembro, as férias logo viriam e tudo ia mesmo sair da rotina, então, deixei.

As férias me mostraram que meu filho tem infinitamente mais pique do que eu: acordava cedo, brincava o dia inteiro sem o cochilo diário e ainda ia dormir tão tarde quanto eu. Ou seja, sem hora para dormir e assim foram-se dois meses de férias. Estamos indo dormir todos os dias perto das 23h, o que me deixa cansada, irritada e sem conseguir dar conta de tudo e menos ainda de mim. Ele me esgota, me cansa, me irrita. Resultado: vamos os dois dormir na minha cama e eu invariavelmente acabo dormindo antes que ele, que ainda tem pique para pedir mil desenhos e fazer mais duas mil brincadeiras. Com a volta às aulas, eu quero retomar a vida de conseguir voltar para casa logo já que nas férias, como ele ficava na casa da avó e eu só conseguia sair de lá com ele amigavelmente perto das 20h eu não conseguia colocar ele na cama no horário normal, pois ele tinha muitas vezes acabado de acordar da soneca que ia até 18h ou 19h. Quero, a partir de hoje, colocar as coisas em ordem, fazer ele ir para a cama dele no horário convencional das 20h45 e, claro, ter pelo menos meia hora do dia para mim.

Vamos, com calma e aos poucos, voltando à rotina. Ele já voltou às aulas, agora falta ajustarmos a rotina e retomarmos mais um ano com muitas atividades - tanto para mim quanto para ele.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Das tagarelices fofas ou Que vontade de morder!

Ele anda falando coisas que até Deus duvida. Desde expressões que os adultos que o cercam falam com frequência até coisas fofas. Nos últimos dias fui atacada por frases meigas e fofurices. Olha só:

Ontem

- Mãe, vem aqui no rasinho!
- Para quê, Arthur?
- Para eu te fazer um carinho.
E ficou fazendo carinho, dando abraço e beijinhos na parte rasa da piscina.

No sábado

Enquanto ele estava deitado no meu colo, recebendo cafuné e assistindo um desenho antes de dormir.
- Mãe, eu te amo.
CATAPLOFT!

Sexta-feira

- Mãe, se a gente sonhar mil vezes com a Akira ela vai voltar?
- Não filho. A Akira não vai voltar. (ela morreu em outubro)
- Hunf!
E se encolhe na cadeirinha do carro e faz cara de quem vai chorar.
- Que foi, filho?
- Eu estou com saudades da Akira.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Aprendiz de peixe

O ano passado, nas festas de final de ano, Arthur entrou em uma piscina funda (mesmo com vários adultos em volta) e acabou se afogando.

Eu, naquela altura, já estava com vontade de colocá-lo na natação e então na volta das férias procurei uma escola de natação e o matriculei. No entanto, o pequeno afogamento causou trauma no pequeno, que depois do fato passou a perguntar frequentemente se a piscina era fundona ou rasinha. Ele, então, só sentia à vontade nas piscinas rasas.

Na praia, a piscina infantil é bem rasa mesmo, tem apenas 35 centímetros. O que é ótimo para você largar o filho sem se preocupar muito enquanto ele se refresca e se diverte em total segurança. Eis que toda e qualquer piscina funda ou mar era motivo de rejeição dele.

A natação virou tortura, pois a piscina funda metia medo e uma insegurança total. As poucas aulas que ele frequentou foram de total desespero para ele, dentro da água, e para mim, fora da água. Então, uma doença atrás da outra me fez cancelar e desistir da natação.

Este ano, ele deixou o medo de lado para brincar com as crianças que, na idade dele, brincavam na piscina funda na praia. Ele, então, aceitou usar as boias de braço, que antes tanto o metiam medo e insegurança e resolveu encarar a piscina funda. Afinal, melhor encarar o medo do que brincar sozinho.

Agora, ao que parece, ele perdeu o medo (embora entendesse que é preciso ter um adulto próximo e usar as boias para não se afogar). E, inclusive, tem se desafiado a ir além. Na piscina rasa do prédio em que moramos ele tem, inclusive, treinado uns mergulhos por livre e espontânea vontade. Tampa o nariz e se enfia embaixo da água. Uma graça de se ver. O fato gera, ao mesmo tempo, alívio e preocupação. Alívio porque ter filho traumatizado ninguém merece, mas preocupação porque agora ele pode achar que não ter medo significa poder encarar a água sem preocupação.

E, com a evolução dele, percebo que nem tudo é tão eterno para ele. Nem todo acidente e/ou "susto" vão provocar danos irreparáveis. Enquanto meu aprendiz de peixe se aventura na água e desafia os próprios limites, eu fico impressionada na capacidade dele em superar e me surpreender cada vez mais.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Efeito colateral

Nunca achei que Arthur sairia ileso da separação. Sabia que as consequências viriam como um cavalo de tróia, que se instalaria em minha sala desordenando tudo. Depois de tudo que aconteceu, e especialmente como tem acontecido, não poderia ser diferente.

E então ele voltou a dar grandes ataques de fúria ao receber ordens, tem ficado cada vez mais resistente a obedecer, tem dado chiliques, tem batido, tem brigado, tem chorado sem fim.

Ontem, na reunião da escola, soube que o comportamento tem sido o mesmo.

Há semanas o pai não aparece e, nesta semana, ele pela primeira vez contou na escola para os amigos o que estava acontecendo. Contou rindo e recebeu uma desaprovação da professora que disse que isso era assunto do pai e mãe dele e que não era engraçado. Ele emudeceu.

Em casa, conversei novamente com ele. Depois de mais um ataque de não obediência e fúria, conversamos com calma e tranquilidade. Acalmado, coloquei no meu colo e relatei que a professora tinha me contado que ele estava dando muito chilique na escola e não estava obedecendo ninguém. Falei que ficava muito triste em saber disso e ver ele fazer o mesmo em casa. Com toda calma, perguntei: por que você está fazendo isso? A resposta foi óbvia: estou sentindo falta do meu pai. Disse que não havia problema, mas que quando ele sentisse falta do pai deveria me avisar para que pudéssemos ligar para ele. Re-expliquei a separação e perguntei se queria falar com o pai por telefone. Então ligamos. Ele foi enfático com o pai, contou que estava com uma energia (alergia, risos) porque uma formiga picou, conversou um pouco e depois não quis mais falar.

Depois da conversa, o senti mais calmo e sereno. Pronto, então, a obedecer com calma tanto a mim quanto as professoras. Hoje a manhã também foi mais calma. Tenho a promessa do pai de buscá-lo hoje na escola. Para tanto, aguardo. Eu não contei a ele que o pai iria para não gerar nenhuma expectativa e frustá-lo caso ela não aconteça. Sigo tentando ajustar a vida na esperança de que ele, pelo menos ele, sofra menos com tudo isto.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Calendário do Advento ou Lá vem o Natal

Arthur curtiu muito o último Natal. Além de ter ganho muitos presentes, ele fala até hoje do Papai Noel que viu no shopping e que, nas próprias palavras dele: "me deu um pirulito".

O ano passado ele pedia para ir ao shopping ver o Papai Noel dia sim e outro também. Levei ele em uns cinco shopping para ver Papai Noel. Uma verdadeira saga.



Este ano, que ele está maior e entendendo as coisas, resolvi fazer um calendário de advento para esperarmos pelo esperado dia de Natal. Pesquisei no Pinterest milhares de modelos de calendário. Tem um mais lindo do que o outro, mas optei por um modelo que poderia fazer de forma rápida, prática e barata. Compramos saquinhos de pipoca bonitinhos e uns pregadores de Natal. A ideia primeira era pendurá-los em um barbante, mas acabei achando que não ia suportar e optei por fazer no formato de uma árvore de Natal na porta do quarto dele.


Ontem, escrevi uma a uma das atividades e ele me ajudou a colocar nos saquinhos e "montar" a árvore.


Hoje, pela manhã, pedi que ele abrisse o primeiro. Ele, que estava fazendo charme e cheio de preguiça para se levantar e ir para a escola, saiu da cama na mesma hora em que sugeri que ele fosse abrir o primeiro envelope. Abriu, conversamos que de noite faríamos a atividade e ele voltou correndo para a cama, como se a preguiça estivesse esperando por ele ansiosamente.

Então, que assim seja, 25 dias de atividades juntos para que possamos curtir esse mês até que o grande dia do Natal chegue!


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Um pedido especial

Sábado pela manhã e Arthur vem cheio de fofura reclamando da vida dele...

- Mãe, eu não tenho um irmãozinho.
- Tem sim. O Rafa é seu irmão.
- Mas ele não é pequenininho.
- É, tem razão. Ele já é grande, mas ele é seu irmão.
- Mas eu queria um irmão pequenininho.
(Soco no estômago)
- É, filho, quem sabe um dia eu possa resolva te dar um irmãozinho.

Arthur ama bebês. É sério. O diálogo acima se deu porque ele dormiu na escola de sexta para sábado no tal acampadentro (ou noitada, como chamam nesta escola). Um outro amiguinho, mais novo que ele, também dormiu e pela manhã a mãe do amiguinho foi buscá-lo com o irmão que não tem nem seis meses. Ele ficou alucinado com o bebê. Rodeou, fez carinho no pé, perguntou o nome, perguntou se ele ainda não falava, constatou com a mãe de que ele ainda 'era um bebezinho' etc e tal. 

É sempre assim. Ele não pode ver um bebê de colo que vai logo se achegando. Eu, claro, acho lindo. Babo. Amo de paixão e até me penalizando porque não pretendo dar um irmão para ele. Nestas horas eu até quase reconsidero minha opinião. Morro de pena de pensar que ele não vai ter um irmão assim, de verdade, para conviver e saber como é bom dividir a vida com os irmãos, como é legal ter com quem contar e como é bacana ter em quem pôr a culpa de vez em quando. Sofro quando penso que ele vai "ficar sozinho" depois e que não vai aprender a dividir com um irmão os brinquedos, as dúvidas, as angústias e as alegrias. Chego até a achar uma sacanagem minha, que tem tantos irmãos com quem contar. Pensando assim, a fundo, fiquei até triste. Quem sabe um dia eu não reconsidere mesmo, de verdade.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

De onde vieram os bebês?

Domingo de manhã ele ficou enrolando na minha cama. Ele tinha ido pra lá depois das 4 da madrugada e depois que acordou e tomou a mamadeira ainda ficou lá (e ele ainda não estava muito bem da diarreia). Quando entrei no quarto, ele me perguntou:

- Mãe, você me engoliu?
Achando que ele tinha sonhado alguma coisa esquisita, respondi:
- Não filho, eu não te engoli. Por quê?
- Mas é que eu tava na sua barriga (já faz uns dias que ele está falando sobre gravidez e tem afirmado que ele estava na minha barriga. No sábado ele chegou até a dizer que ele e o papai estavam na minha barriga e a gente disse que não, que o papai estava na barriga da vovó Cida, a mamãe na barriga da vovó Wivi e ele na barriga da mamãe.)
- É, mas a mamãe não te engoliu. O papai e a mamãe namoraram e o papai colocou você dentro da minha barriga.
- Ah, tá.

E o assunto se deu por resolvido.
Quero só ver quanto tempo vai demorar para ele perguntar como é que ele veio parar aqui dentro ou como saiu daqui.

Aguardem diálogos dos próximos capítulos.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

No meio do caminho tinha uma fralda

Em pleno desfralde noturno fomos atacados por uma diarreia, que rendeu até mesmo fralda de dia. Sim. Não teve jeito. Ou era fralda ou não sei quantas cuecas e calças e tudo mais sujos em um dia. Nos rendemos.

Na verdade, ele se rendeu porque a sugestão foi minha. E, de noite, quando foi dormir ainda disse que queria sem fralda.

Hoje está melhor. E tudo indica que voltaremos a dormir sem a tal.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Conversa de bêbado

Ontem, quando chegamos em casa ele logo pediu:

- Mãe, quero desenho!
- Ok. Mas primeiro eu vou assistir ao debate.
- Hmmm! Tá bom, eu também quero batman.
GARGALHADAS. Incontroláveis.
- Não, Arthur eu vou assistir ao de-ba-te.
- Ah, tá.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Falha Junina

Fazendo a 'baba'
Eu esperei ansiosamente pela festa junina da escola dele. Eu costurei retalhos na calça jeans, separei a roupa e fiquei ansiando pela manhã seguinte. Ele deixou vestir a camisa xadrez, mas não quis vestir a bota e foi para a escola meio contrariado, apesar de ir a pé, como ele gosta, e junto com a madrinha, o pai, o co-dindo e mais um monte de gente.

Ele viu uma menina de caipira pouco antes da esquina da escola e perguntou se ela também ia para a festa.

Ele chegou lá meio emburrado e pouco depois começou a dança da turma dele. Ele não quis dançar de jeito nenhum. Ele não dançou nem com a gente. Ele ficou emburrado e só desemburrou algum tempo depois, bem depois da dança. Também só foi bem depois que ele pediu para fazer barba nele. Mas depois ele correu, brincou, comeu e se divertiu com alguns amigos da turma.

Comendo milho como um bom caipira!

Ele correu, brincou, pulou, brincou nas brincadeiras de pesca e de atirar bola no espantalho (a famosa boca do palhaço) e ganhou um monte de presente e ficou todo feliz. Ele aproveitou como quis, mas a mãe ficou um tanto desenxavida porque ele não dançou. Agora, só me resta esperar pela festa do ano que vem, né!

Brincando de bombinha com a amiga.

Família unida, vai à festa unida!


terça-feira, 3 de junho de 2014

Dobrou e guardou a mamãe no bolso

Dias desses estavam na sala eu, marido, Arthur, madrinha e co-dindo conversando sobre os aniversários que estavam por vir (até então seriam dois em uma semana). Um deles, da menina mais bonita da sala - palavras do Arthur em outro momento despretensioso nosso.

Quis que ele contasse para a madrinha quem era a menina mais bonita da sala. Com vergonha e sem respostas, o co-dindo sugeriu que a menina mais bonita fosse a tia Bia. Ele pensou um pouco e concordou, reafirmando que a dinda era a menina mais bonita da sala.

Mas então insisti dizendo que a tia Bia não estava na sala dele. Rapidamente, ele respondeu. Ta sim, ta aqui na minha sala.

Assim, simples. Dobrou a mãe e guardou no bolso! E eu tive que dar o braço a torcer, concordar e aida assumir que ele foi muito mais esperto que eu. Aos 3 anos. Quero ver o que vai me dizer aos 13!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

O óbvio ululante

Ontem levei Arthur para cama no limite do horário. E nosso combinado é de que quando ele enrola para ir para a cama não ganha estória.

No entanto, ontem mesmo indo no limite do horário eu cedi ao pedido de uma estória. Achei que ele fosse pedir a estória da Cleo (a vaquinha de pano que dorme com ele e sobre a qual tenho inventado algumas histórias que unem o dia a dia dele com a amizade com a vaquinha e as vivências pela qual ele tem passado), mas me pediu a estória da Branca de Neve.

Comecei contar a estória e percebi que ele estava dormindo e então parei a estória, mas fiquei ali na calmaria e no escurinho do quarto dele pensando na vida, nas tarefas que não tinha realizado no dia e nas outras tantas que ainda teria para hoje. Depois de alguns minutos, ele se virou e disse:

- Você não vai terminar a estória?

Me desculpei e beijei o dizendo que achei que ele estava dormindo. Então, debruçada sobre ele, perguntei:

- Onde foi que eu parei mesmo?

E ele me respondeu, apontando para o canto da cama:

- Ali!

Rindo e beijando ainda mais, expliquei:

- Não filho, onde a história parou?

E ele me respondeu de forma bastante óbvia:

- Na sua boca.

Ri muito, beijei mais ainda e terminei a história de onde tinha parado, obviamente.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Meu menino de 3 anos

Meu menino de 3 anos:

- é tagarela
- inventa músicas
- dorme na própria cama (e nem precisei comprar a tal grade)
- já começou a fazer perguntas em sequência sem ter fim
- é engraçado e se mostra espirituoso e brincalhão
- ama bebês
- é muito arteiro e vira e mexe se machuca em alguma coisa
- questiona e desafia sempre
- é difícil de comer e não para sentado quase nunca
- aceita tratos, combinações e chantagens
- já sabe negociar, adiar e chantagear
- conta até 14 e continua contando, mas tudo errado
- mal completou 3 anos e já diz que vai fazer 4!








sexta-feira, 11 de abril de 2014

Do berço para a cama

Há algum tempo eu andava querendo colocar o Arthur para dormir na cama, mas o marido resistia com os mais diversos argumentos.

Eu queria ter transformado o berço dele em cama no exato dia do aniversário dele, mas o marido me enrolou e não mexeu no berço. (O berço dele virava mini-cama)

E eu já vinha falando pro Arthur que ele estava grande e que passaria a dormir em uma cama. E ele também estava contente de ser grande e ter uma cama.

Desde janeiro mais ou menos eu mantinha o berço dele com as grades abaixadas e como ao lado havia um baú ele conseguia entrar e sair do berço quando bem entendesse.

Nos primeiros dias da mudança ele veio parar na minha cama no meio da madrugada e eu comecei a ficar intrigada se ele faria isso sempre e voltei a fechar o berço. (Me julguem, mas minha noite bem dormida não tem preço e com filho que rola para cima de mim eu não durmo mesmo)

Depois, deixei aberto mesmo e ele deixou de vir mesmo quando acordava. E voltou a me chamar quando perdia a chupeta ou quando queria alguma coisa.

Minhas férias acabaram e nada do marido mudar o tal do berço como eu tinha pedido. Ele não argumentava mais contra, mas também não fazia nada a favor.

De uns dias para cá ele (o marido) estava mencionando que precisava comprar umas chaves novas para conseguir desmontar o berço. E antes de ontem comprou, mas tinha deixado no carro. Quando saímos deixei as tais chaves a vista e conseguimos lembrar de trazer para cima quando voltamos.

Eis que ontem chegamos em casa e o Arthur finalmente tinha uma cama. Embora eu quisesse fazer uma história com a tal transformação da cama não consegui porque cheguei aqui e só soube da cama quando vi.

Como eu vi a cama antes do Arthur, chamei o para ver a surpresa que tinha no quarto e logo de cara ele adorou e quis subir na cama e experimentar.

Fiquei feliz pelo marido ter finalmente cedido à cama e feliz porque meu menino também tinha gostado.

Quando chegou a hora de dormir, ele quis levar o canguru para dormir com ele e foi todo contente colocar o pijama na cama nova e dormir pela primeira vez por lá.

Ele gostou tanto que foi de primeira para a cama e até a mamadeira ele tomou lá! 

Mas passados uns 10 minutos na cama eles pediu para dormir na minha cama e pediu o berço dele de volta. Não sei se o que incomodou foi o fato de eu e atar sentada com ele na cama ou se ele estranhou a mudança total: cama, posição no quarto, etc. Mas ele insistiu que não me queria ali, me mandou para o meu quarto e como eu não fui ele se nadou para o meu.

A princípio eu insisti dizendo que quem ia dormir lá naquela cama era eu já que ele ia para a minha cama. E eu ainda deitei na cama dele e fiquei esperando ele voltar.

Estava quase adormecendo quando percebi que ele não voltaria mesmo e fiquei considerando a possibilidade de voltar atrás. 

Mas resolvi deixar isso para depois. Fui até a minha cama e me deitei ao lado dele esperando que dormisse. Quando ele dormiu fui tirar a roupa da secadora, dobrar o que não ia ser passado e colocar no cesto o que era de passar.

Fiquei um tempo no celular e na internet e resolvi deitar. Mas resolvi colocá-lo na cama como já fiz tantas vezes que ele dormiu na minha cama. 

Coloquei ele na cama dele com receio e ele resmungou alguma coisa que não deu para entender virou para o lado e dormiu.

Eu deitei apreensiva de que ele pudesse cair da cama, já que não tem grade e ele se mexe muito de noite! Mas a noite passou e ele não veio até a minha cama e nem caiu de lá. As 5h ele me ficou falando sozinho e procurando a chupeta. Fui até lá, encontrei a chupeta, coloquei na boca dele e imediatamente ele deitou de novo e voltou a dormir.

Enfim, primeira noite foi quase de sucesso total. Vamos ver o que acontece nos próximos dias.

Ah, todo mundo me disse para comprar a tal grade, mas como a primeira noite foi ok ainda vou esperar mais um pouco! 😜

terça-feira, 8 de abril de 2014

Por bem ou por mal: a fórmula mágica

Há muito tempo que lá em casa as coisas estavam muito ruins. Os tais terrible two que não tem fim e insistem em me deixar de presente um menino teimosão, que não quer se vestir, que não quer recolher brinquedo, que não quer entrar no banho ou não quer sair de lá, não quer sair de casa, não quer, não quer, não quer. Aliás quer, quer tudo, quer muito, mas só do jeito dele.

Então, um dia sem querer, descobri que se eu levasse ele por mal (ou seja, aos trancos e barrancos e chorando) ele logo se dispunha a ir por bem (sem drama, sem choro e com risadas). Então, peço ajuda dele para fazer as coisas ou dou uma ordem (trocar de roupa, vestir casaco, ir tomar banho, sair) e se sou ignorada, na mesma hora eu pergunto para ele: vai XXXX (seja lá o que for) por bem ou por mal? No começo, ele se dispunha logo, mas com o tempo ele aprendeu que se me ignorasse eu continuava lá igual uma idiota repetindo a pergunta como se não tivesse fim.

Então, a idiota achou que era demais e estabeleceu que ia perguntar três vezes. Quando ele me ignora, as três perguntas são sequenciais: vaiporbemouvaipormal-vaiporbemouvaipormal-vaiporbemouvaipormal? Quando ele argumenta, eu respiro fundo, conto até três em silêncio e pergunto de novo pelo mesmo número de vezes: - um - vai por bem ou vai por mal; dois - vai por bem ou vai por mal; pela última vez - vai por bem ou vai por mal.

Agora, se até a terceira for questionada ou ignorada, aviso logo que ele vai por mal e ele esperneia, chora, pede o chão e avisa que vai por bem. E VAI! Enxugando as lágrimas e rindo. Como se não tivesse disputado sua teimosia comigo. Eu fico P por ter que usar esta tática para conseguir as coisas, mas ao mesmo tempo me sinto vitoriosa de não ter que entrar mais em pé de guerra com ele e ficamos apenas neste quem manda mais.

Como eu sei quando as coisas funcionam com ele, às vezes, quando ele ainda não está totalmente irritado também já posso ir pedindo as coisas afirmando que ele vai me ajudar por bem. E tudo flui numa maravilha. Não podia ser sempre assim?

E aí, qual é a sua tática de paz?

segunda-feira, 31 de março de 2014

3 parabéns para os 3 anos

Verdade, exagerada verdadeira.

Pela primeira vez, desde que completa anos, Arthur teve seu aniversário em um dia de semana. Ele nasceu em uma quinta-feira, mas como o ano seguinte foi bissexto o aniversário caiu no sábado e no ano seguinte, no domingo. Nos dois anos anteriores eu fiz questão de comemorar exatamente no mesmo dia. Mas, por ser na segunda-feira, este ano optei pelo final de semana seguinte (claro!).

Como queria uma festa pequena (só com os familiares e amigos mais próximos), resolvi que ia fazer também um bolo na escola, assim ele teria amigos para comemorar com ele na data verdadeira e a família e os amigos mais próximos dos pais para comemorar no final de semana.

Mas para a família louca e desvairada (no caso, a minha), isso foi suficiente para juntar duas vezes: na data do nascimento e na data da comemoração agendada.

1) #xatiada
Para a escola, Arthur foi comigo encomendar um bolo de morango, como ele mesmo pediu. Naquela semana que antecedeu o aniversário ele tinha ficado doente e só sumiu a febre na sexta-feira. Como achei que ele ia realmente melhorar, liguei na escola para saber como se dava a comemoração por lá. A informação que me deram era de que tinha que mandar o bolo, os descartáveis e o suco e que não podia mandar refrigerante, nem lembrancinhas, nem chapeuzinhos, nem nada mais. Que era para ser só um bolo mesmo.

Ok. Fui buscar o bolo perto da tal hora do lanche (o bolo seria logo depois do lanche) e segui para a escola com tudo. Mas, chegando lá, descobri que não podia ficar junto. Quase morri de chateação e mágoa, mas engoli tudo e vim embora, deixando o bolo, os sucos, os descartáveis e a máquina fotográfica.

Claro e óbvio que a primeira coisa que fui ver quando ele chegou em casa foi as tais fotos.

2) Em casa, parabéns outra vez
Minha mãe tinha comentado sobre fazer um parabéns a mais naquele mesmo dia, mas eu tinha descartado já que ele ia ter parabéns na escola. Quando ela ligou e ele não quis falar com ela no telefone, eu convidei ela para passar em casa e dar um beijo nele, afinal ela mora há cinco quadras da minha casa. Então, ela resolveu que vinha e todos os tios loucos também. No final, juntou todo mundo em casa na maior bagunça. Como não tinha bolo e nem nada, improvisamos um bolo Pulmann e uma vela de sete dias e cantamos um parabéns só para constar.

Ele, que adora um parabéns, ficou todo contente. A reunião rendeu até um selfie animado. 

3) A festa prometida
Arthur adora uma festa e uma bagunça. Um dia, falando com ele que ele ia fazer três anos e tal, ainda no ano passado, ele me pediu uma festa de aniversário. Eu, que já tinha planejado uma viagem que ia sair cara, já estava pensando em não fazer festa e nem fazer nada, mas aí fiquei pensativa. Conforme o tempo passava e a data se aproximava meu coração apertava e eu pensava em como agradar meu pequeno.

Aí, pouco antes de eu sair de férias, me veio na cabeça a ideia de fazer algo pequeno só com a família e alguns amigos próximos nossos. Como solução, a ideia era um parabéns na escola com os novos amigos e outro parabéns com os primos, tios e avós em uma festinha no melhor estilo self-service e sem grandes elaborações. 

Resolvi fazer uma decoração feita por mim (no caso, foi a avó porque eu estava empenhada na monografia da pós e na viagem de férias) e mandar ver em algo simples, mas honesto e bacana. E assim foi. Vi meu menino gritar, pular, brincar, correr e se divertir a valer, que era a ideia desde o início: uma festa para ele. Pude ver e receber amigos e familiares, bater papo e até agendar próximos encontros. Reunir a família, que tanto ama meu garotinho, para estar com ele neste momento de alegria.

No final, foi cansativo, mas valeu a pena e deu bastante certo! Só pude sair daquela festa com o coração aliviado e com a sensação de missão cumprida.

Agora, eu inauguro uma nova hashtag por aqui #aos3 e só espero que no ano que vem eu não tenha que celebrar 4 vezes, porque aí eu não vou aguentar.